quarta-feira, 31 de março de 2021

Não tem mais escola, mas tem Educação!

Sempre ouvimos de nossos pais que a educação pode mudar tudo. A minha mãe é a "dita cuja": - filha, estude! Porque a única coisa que ninguém tira da gente, é o conhecimento. 

Passamos a vida toda escutando a importância de irmos à escola, alguns aprenderam a amar o espaço escolar, outros frequentaram - e frequentam - apenas pela obrigação. Então, você leitor, poderia nos responder? Escola para você, é abrigo, refúgio ou prisão?

A escola, em seu sentido de local físico,  pode representar diferentes simbologias para cada um, seja a partir da subjetividade do seu eu, seja pela sua posição social. Há quem ame a aula de educação física, mas ODEIE a aula de matemática, e ainda assim, não suporta a ideia de faltar nenhum dia se quer.

Há também quem vai à escola pela fome, pois a única refeição que conhece é aquela que a merendeira oferece de segunda à sexta. Ou porque tem fé que a educação é o único caminho que pode mudar os rumos da vida que leva.

Não podemos nos esquecer daqueles que amam a fragrância dos corredores da escola, que gostam do som do Bom Dia de cada um alí que compõe o corpo escolar, seus companheiros de todos os dias.

Quase todos nós passamos a maior parte do tempo nesse ambiente, quase sempre o mesmo horário de todos os dias da semana, exceto sábado e domingo. Quase todos, passamos boa parte da vida sabendo que a tal hora, devia-se estar prontx e arrumadx - a mesma rotina de sempre - para partir em rumo do mesmo caminho: à escola - seu abrigo, refúgio ou prisão.

Chegamos então ao inesperado, inimaginável: interrompeu-se essa rotina! Se antes sentávamos na carteira, agora era no sofá de casa, ou no chão - dependendo da realidade de cada um -. Antes até o hálito dx professorx conseguia-se sentir, de tão próximo contato. Agora, por uma tela, do celular ou computador - dependendo da realidade de cada um. Ou ainda, aqueles para quem interrompeu-se de vez, pois não têm condições de adquirir qualquer tipo de aparelho digital.

Nos deparamos com um tempo em que não era mais necessário esperar o ônibus da escola no mesmo horário e no mesmo ponto de sempre, não tem escola, não tem ônibus, não tem gente podendo entrar em contato com gente. Não é mais necessário se aprontar tão cedo para dar tempo de fazer a mesma caminhada de todos os dias em ruma à escola, não tem caminhada, não tem compromisso, não tem escola.

E agora? O que podemos fazer diante disso? O que ainda temos?

Não tem "escola", mas tem Educação. Tem aprendizado, tem reflexão, tem compartilhamento, tem encontros- virtuais -. O mais importante sobre o que podemos pensar: que tipo de educação? O caminho que ela tomou, vai dar em que destino quando chegar-se ao final da pandemia? Em que situação nós, educadores, alunos ou colaboradores, vamos nos encontrar?

Como será nossa nova rotina? Qual será o novo ponto em que esperar? Qual será o novo caminho para irmos à escola?

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